ao erro

Temos a capacidade de transformar o fácil em difícil, o iluminado em tenebroso. Lidar com gente é uma coisa complicada: você tenta prever uma reação, espera o momento que julga certo e ainda assim … dá tudo errado. Não há conselhos ou pensamentos positivos que bastem; o que está fadado ao erro dará errado. Não há como iludir, entortar, o erro; se há a possibilidade dele acontecer, dará errado. Não estou enaltecendo o erro, quero dizer que ele é inevitável, portanto, errem.

Errem de propósito, errem em grande ou pequena escala, errem por hobbie ou diversão, errem com vontade, errem sem pudor, errem sem medo, errem porque está frio ou quente, errem porque é verão. Não importa qual seja o motivo, errem. Estou declaradamente fazendo uma apologia ao erro. Do que seria o ser humano sem o erro?

Se não errassemos não teriamos a vontade de consertar, de mudar; se não errassemos não fariamos loucuras para saná-los; se não errassemos não passaria por nossa barriga aquela gostosa sensação de não saber o que fazer, aquele remorso incorruptível, aquele que não se desfaz de você por coisa alguma; que se alimenta de suas víseras silenciosamente; que não se deixa enganar por outros sentimentos ou pensamentos.

Se não fosse pelo erro, e pela raiva que ele provoca, não teriamos visto coisas maravilhosas na humanidade. Se não fosse o erro Edison não teria inventado a lâmpada, Volta não estudaria elétrica, Da Vinci não projetaria armas de guerra, Eistein não deduziria a relatividade, e você não visitaria o meu blog.

- Nunca li tanta merda num texto só, Eloi.

- É. Este texto foi um erro. 

 

dei-te asas

Hoje assisti uma mudança sua, dei-te asas para sentir-se única – como se já não fosse. Dei apenas um breve impulso para aquilo que será a maior transformação da sua vida, posso sentir que algo magnífico te espera. Posso, cada vez mais, sentir meu corpo dentro do seu, minha alma em sintonia com a sua, e meus olhos puderam nos seus mergulhar.

Hoje assisti uma mudança sua, dei-te asas para voar livre pelo céu esplêndido, mesmo que acincentado pela chuva que está porvir. Decorei seus movimentos e posso imitar-te no vôo. Talvez um dia consiga seguir-te. Sonho com o dia em que poderei acompanhar-te e oferecer-te a mão para que me leve com você. Para que, um dia, você também me ensine a criar asas.

Hoje assisti uma mudança sua, dei-te asas e vi você pousar belamente entre os pássaros que esconsos da chuva em baixo de um pomar descansavam. Depois percebi seus olhares para mim e as lágrimas que molhavam seu rosto, corri em sua direção e você me falou do incômodo que as asas traziam. Da dor que sentia nas costas e do peso que te massacrava tanto.

Hoje assisti uma mudança sua, dei-te asas. Logo depois foi apontada e humilhada por todos, ouvi falácias e escárnios com o teu nome. Tornei o que era belo e santo em uma coisa mesquinha e covarde. Percebi que as pessoas não são capazes de reconhecer quem merece asas, quem por elas fez por merecer. A inveja e a cobiça povoaram os arredores e você, do alto do céu cinza, assistiu a tudo.

Hoje assisti uma mudança sua, dei-te asas e no final do dia fui cortá-las. E ao fim do dia ficou claro que na verdade te condenei. Agora todos lembraram do dia que você voou e um poder sântico adquiriu. Hoje sacrifiquei sua integridade e sua existência, dei-te asas e tudo o que era doce putrefou-se.

( Perdoem-me os gramáticos, mas a “salada” que fiz foi necessária. )

amanhã será eterno

Sem saber como, nem porque, ele sentira-se pleno desejo. Com a aura e todos os elementos cósmicos-espirituais que a compõe em êxtase, como se um sentimento pungente palpitara-lhe o coração.  Nada mais importava naquele dia a não ser a forte e louca paixão que agredira sua mente e seu corpo nas mais recentes horas, ficara embasbacado com a voracidade com que tal sensação agrimara-se em sua existência. Não há nada que se compare ao benfazejo que aquele momento proporcionara-lhe.

Envolto pela felicidade ciméria que acalantara sua alma decidiu-se rapidamente por jamais voltar a ostentar a triste aparência que acompanhara-lhe durante anos. Tinha certeza de duas coisas: Naquele momento entendera realmente de onde vinham os prazeres mundanos e o bem que poderiam proporcionar-lhe; Além da certeza que o sentimento que alcançara há pouco seria eterno.

“Amanhã será eterno”, repetia ele, obstinado, durante todo o percalço do seu dia, de certa forma sentia-se obrigado a manter viva dentro de si a alegria estapafúrdia que invadira-lhe o peito. “Amanhã será eterno”, insistia. Nada seria capaz de desvirtuar seu pensamento, nada seria capaz de tirar a excentricidade proporcionada pelos sentimentos mais triviais e belos que sentira. Nem mesmo ELA seria capaz de estragar tudo. “Amanhã será eterno”, balbuciava ao passar pelas pessoas no corredor do prédio, ao entrar no elevador, na porta de sua casa, na cozinha.

“Amanhã será eterno” e orava antes de dormir, enquanto observava seu quarto, seu apartamento, e tudo que lhe prendia a vida de antes. Agora nada daquilo o pertenceria mais, seria tudo deixado para aqueles que quisessem como recordação daquele velho que não sentia as emoções que manifestaram-se dentro dele doravante. “Amanhã será eterno”.

Tinha certeza que amanhã todos ficariam com sua nova imagem, todos perceberiam que agora era um homem feliz, completo. Afinal, quais os amigos que não queriam vê-lo fautoso como estava. “Amanhã será eterno”, repetia psicoticamente mesmo durante seus sonhos – sim sonhara com isto – e neles não era de se esperar que acontecesse o contrário, também sentia-se esplêndido. Queria – mesmos nos sonhos – que o mundo soubesse o quão era satisfatória aquela sensação, aquele anseio louco de que amanhã seria eterno.

E assim o fez: acordou disposto e feliz, preparou bem a cena e enforcou-se na sacada do apartamento. O corpo ficou dependurado de fronte à rua, para que todos pudessem ver o quão estava contente em realizar sua morte. Queria que todos vissem que a imagem despercebida do rapaz tímido fora trocada pela fantástica imagem do maníaco suicida. E hoje é eterno.

“Naquele dia Dante optara pela solução mais lógica e prática para seus problemas. Sentiu-se absolutamente completo e sabia que nada mudaria sua decisão; Livrar-se em definitivo dos seus problemas era tudo o que queria. Assim não o taxariam mais de covarde, de corruptor. Assim ELA sairia da sua cabeça e definitivamente da sua vida. Assim não precisaria mais prestar contas a ninguém sobre suas atitudes.

Dante aceitou o fato de morrer porque entendeu que era o caminho mais fácil; Morrer é muito fácil. Já que, vivo, não suportava seus problemas, morto seria fácil solucioná-los. Dante enforcou-se e mostrou a todos que a morte é o melhor caminho, queria que todos entendessem que morrer às vezes é a única coisa que nos acalma e o quão boa é esta solução.”

fanático

Minha alma está blindada e meu corpo está fechado, estou armado até os dentes e munido de palavras impactantes – de baixo calão – ávidas a zarpar pelos céus e atingir a quem se opuser a mim. Farfalhosamente ando pelas ruas exibindo minha nova fantasia heróica, uma proteção celestial que me cobre o corpo como um artefato sacro – sinto-me um semi-deus. Vejo que não tenho mais medo; A vida passa a ser um pequeno passatempo, e os caminhos tortuosos que antes habitei tornam-se linhas retas impostas, apenas, pela minha presença de espírito.

No caminho deixo marcas pelo chão e o velho cheiro do perfume que deixa um gosto acre na boca – sim, um odor capaz de provocar sensações, delírios – e os olhos extenuados de quem me observa. Passo como uma locomotiva veloz que escassamente pára em algumas estações, e logo volta a seguir seu curso imponente; Atravessando vidas alheias deixando uma nuance de calor e um estardalhaço imoral.

Desse meu novo ritmo de vida entendo que posso passar e ser esquecido, posso apenas desparafusar imoralidades verbais sobre os outros, posso sentir-me protegido pelo meu ego, posso inflar-me de vaidade, posso rir da minha vida e tratá-la como um simples joguete, posso marcar de deixar lembranças, posso causar devaneios – quimeras -, posso interessar-me pouco em assistir os outros, posso seguir meu caminho avassaladoramente, posso pintar e sonorizar um ambiente. O que não posso é garantir que serei lembrado por aquilo que realmente sou, serei lembrado por aquilo que no momento julguei correto e fiz.

Não acredito que somos nossas atitudes; Do contrário não haveria arrependimento, remorso ou angústias. Somos nossa capacidade de reconhecer nossos erros, perdoar. Nada – em vida – é definitivo.

viva a Carlos Ruas !

Magnífica tirinha de Carlos Ruas. Podem estar certos os que falam muito sobre “mente liberal” e “mundo moderno”, mas a tirinha é indefectível.

Freud e Deus - por Carlos Ruas

saciem-se – da série cotidiano

Quanto mais conheço os vãos costumes da sociedade mais recluso-me no bucolismo do meu quarto. Não consigo mais entender a falta de espírito das pessoas que agem apenas pelo desejo, pelo libído, ou por uma vontade – mesmo que sem graça – de mostrar-se como um membro eloquente da própria sociedade.

Nos sentimos frustrados quando entramos em um bar ou em uma festa e não desviamos pelo menos dois ou três olhares em nossa direção. E a angústia é ainda maior caso terminemos a noite sem ao menos trocar uns amassos num canto escuro do recinto – se for às claras, bem à vista de todos, é ainda melhor.

Outro dia fui recriminado por um amigo por ter saído de uma festa sem ter “pegado” ninguém, de imediato senti-me inútil mas, como sempre, pus-me a pensar inutilmente sobre. Por que teria de estar com alguém naquela noite se ninguém – na verdade nada – me interessou ?

Infelizmente eu também tenho agido como uma máquina movida a volúpia, desde muito procuro o gozo – mesmo sem vontade – só para poder contar aos amigos que usei, de alguma forma, outra pessoa em benefício próprio. Sinto-me um lixo, e hoje preocupo-me mais em procurar o  que amo, e tento estar perto de quem amo. Não quero mais caçar como um animal sedento.

- Prefiro ser um eterno ultra-romântico.

cotidiano X

Há algumas noites tenho um sono sofrido, uma forte preocupação se abrigou em minhas entranhas e rouba meu sossego. Durante a noite – ou a tarde, quando tento recompor a noite perdida – mil lembranças povoam minha mente. Fico fascinado com cada gesto, cada abraço, cada brincadeira, cada carinho, que fizeram parte do bom convivio que estabelecemos. Lembro também das discussões que acabavam em gargalhadas e das em que – por respeito – tive de me calar.

Sinto um medo pungente, ácido. Um medo que já experimentei. Mas nunca havia sentido de forma tão avassaladora: sinto-me impotente. Hoje vejo que todas as promeças, todas as juras, não podem ser cumpridas – apesar de terem sido feitas com os sentimentos mais honrosos da alma, estou de mãos atadas. Ajudo no que posso e ainda assim sou um inútil.

Espero que minha fé e minha vontade manisfestem-se de forma mística, espero que um poder maior – apto para suprir as necessidades alheias – mergulhe em minhas intenções e guarde quem amo. Espero que como uma mágica, ou um milagre, em uma aventura épica essa força promova um final feliz.

(Continuo ao melancólico som de “Los Hermanos”).

boas e novas

Queridos leitores, em nota rápida comunico que há grandes possibilidades de que os post voltem a aparecer regularmente no blog.

Cansei de me privar de uma coisa que me agrada porquê meia dúzia de indivíduos acreditam que o minhas história tem destinatários. Quando escrevo para alguém não escondo, publico e bendigo meus motivos a quem for de interesse.

O que espanta é o fato de levarem tão a sério as fantasias da minha mente perturbada. Meus textos representam meus fantasmas, minhas amarguras.

Mais novidades em breve.

Um forte abraço.

adeus

Escrever sempre foi uma terapia, desde que aprendi a colocar idéias em um pedaço de papel minha vida passou a ser mais divertida e assim vem sendo até hoje. Muitas das vezes escrevo afim de encontrar uma solução ou uma explicação, quando escrevo analiso melhor os fatos, entendo melhor as coisas e estranhamente me sinto bem.

Publicar alguns de meus textos no blog, ou escrever alguns diretamente para ele – vide a série cotidiano -, fez com que me sentisse muito à vontade por um tempo mas percebi que não posso continuar escrevendo aqui.

Peço perdão aos que acompanharam estes poucos meses de literaturas melancólicas e depressivas – e algumas boas idéias – mas não continuarei postando.

Despeço-me com um forte abraço e agradeço o carinho.

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cotidiano IX

O final de semana passou como um golpe no estômago, a amargura que os segredos causam é incomensurável e a cada movimento a dor se estende, a cada pergunta o incomodo parece ser maior. Não poder conversar com ninguém sobre o que me aflinge é ainda mais frustrante – sinto-me constantemente perdido.

Seguindo rigorosamente a “lei de Murphy” deixei as coisas muito piores, tomei decisões precipitadas e deixei algumas pessoas ligeiramente magoadas. Mais uma vez feri sentimentos de uma pessoa muito querida – realmente não queria -, mesmo fazendo a coisa certa não é nada boa a sensação de ser um crápula.

- Ao menos pude descansar, fiquei um bom tempo em casa.

Espero que todos entendam algumas decisões que estou tomando durante estas semanas, quem sabe num futuro próximo me perdoem? Começo a trabalhar com a hipótese de não fazer tudo errado, afinal, algumas escolhas mostram-se efetivas – mesmo que tardiamente.